domingo, 20 de maio de 2012

PEDRA DA GÁVEA, RECUPERANDO SUA HISTÓRIA


Pedra da Gávea, recuperando sua história. 

A intenção  deste texto e arejar um pouco  o clima em volta do enigma da Pedra da Gávea, especulando sobre alguns aspectos discretamente e  procurando indicar outros caminhos. Sem, no entanto levar as pessoas a visões delirantes sobre o  assunto.   
O problema  sobre a incógnita da Pedra da Gávea está mal  explicado faz muito tempo. Em parte por falta de pesquisa bibliográfica e de campo. Faço estas análises e observações porque tenho certeza de que  recuperando e desmistificando a história  irresponsável que se conta desta montanha será mais fácil ajudar na sua preservação como patrimônio paisagístico, monumental e histórico. E o que aconteceu  até agora foi apenas  sua desmoralização e uso  comercial. As próprias tentativas de preservação ate agora não trouxeram  muitos resultados. Queiram  ou não esta montanha  é um dos  maiores monumentos do Rio de Janeiro. E não tem tido a atenção que seria  merecida, foi usada de maneira desconsiderada para fazer sensacionalismo. O que lançou sobre o assunto um clima de falta de seriedade.     
Para confundir mais as coisas há vários elementos que se analisados separadamente  podem ser falsos ou verdadeiros.  Mas quando associados formam um quadro que suscita muitas versões. É preciso analisar individualmente cada um para chegar a alguma hipótese que possa indicar caminhos de pesquisa, e eventualmente relacioná-los entre si.
Temos uma aparente inscrição, um possível portal monumental e  com certeza uma face  esculpida numa  gigantesca  cabeça de pedra. Temos também alguns outros detalhes que não vou abordar aqui para não ampliar demais o assunto principal. É preciso separa as coisas porque se um  elemento não é verdadeiro não implica em que os outros sejam também falsos.
 Ao longo dos anos  foi feita uma salada com o assunto , na  qual já não se distingue o que é fato real, o que tem algum valor para pesquisa, e o que foi inventado por pura  irresponsabilidade, sensacionalismo ou interesse.
Quem acha que todos os elementos são apenas fruto da erosão, não precisa pensar mais, porque sempre vai prevalecer essa idéia, principalmente em quem não  conhece o local. Com certeza não há o que discutir com quem pensa assim.  Mesmo conhecendo-o já é difícil de entender. A maioria das pessoas não se interessa por pesquisas, preferem versões sensacionalistas sem base. Conseqüentemente, pesquisar a Pedra da Gávea é um assunto irrelevante.   
Durante muitos anos estive mastigando a versão dos fenícios na Pedra da Gávea, sem poder engolir, porque quando cheguei a conhecer um pouco a cultura púnica percebi que não era a versão apropriada. Posso assegurar que a maioria dos sites na internet está difundindo histórias fantasiosas e sem fundamento como sendo um verdadeiro folclore do Rio de Janeiro. O pior é que um  site  repete  o que o outro disse, inclusive com erros de datas e informações. Pior ainda, são os  relatos  fantasiosos e exagerados de aviões e pessoas desaparecidos no local. E temos ainda os que descaradamente apontam o local como base de discos voadores, sem nenhum compromisso com a lógica, e outras  hipóteses sem fundamento algum. Ou então atribuem tudo a uma “Solução Atlântida“, que  em conjunto com os extraterrestres  explica tudo o inexplicável, explorando a fantasia e o sensacionalismo e deformando mais o imaginário carioca. Sepultando cada vez mais uma apreciação sóbria do que possa ter acontecido nesse local.
 
 
 
Eis  como se apresenta a chamada inscrição no paredão leste, constituída basicamente de buracos predominantemente verticais. Note-se que embaixo há uma segunda linha de buracos. Essa  ninguém quis traduzir ? E se quiserem tem uma meia linha mais, em terceira posição. Perceba-se que mais embaixo seguem caneluras verticais, isto quer dizer que todas estas marcas  fazem parte do mesmo processo erosivo. Estes buracos são de diversas profundidades e com muitas bordas onduladas, portanto, difícil de definir onde começa ou acaba a ”letra”. Observe-se também que a inscrição  vai subindo para a direita.
 Não teria nenhuma lógica fazer uma inscrição torta, porque para fazer qualquer trabalho de desgaste da rocha ali, teria que ser feito um andaime, ou pênsil, ou escorado no chão. Naquela altura do paredão, teria que ser pênsil, mas um andaime pênsil inclinado é coisa de doido, não teria sentido, seria  irracional. Mas para quem ainda tiver dúvidas, vá ate lá. Do lado esquerdo, descendo para a gruta da Orelha,  poderá  ver alguns detalhes desses buracos. E não tenha medo de não ser um erudito em línguas mortas, use apenas seu bom senso.
  Se alguém pretende  achar vestígios fenícios no Brasil, primeiro tem que parar de aceitar histórias da carrocinha como verdades. A história das ânforas achadas na Baía de Guanabara foi uma delas, que continua a ser divulgada. Havia ânforas sim, mas eram modernas. Se havia ânforas quase certamente haveria um navio, e onde está o navio? Ou vieram voando? Porque essa “pesquisa” não continuou?    


     
Aqui  acima está a copia da inscrição segundo a visão de binóculo feita pela comissão em 1833 , sim porque  só é possível ”ler” de binóculo. Os fenícios não tinham binóculos, portanto nunca fariam uma inscrição, ilegível a distancia, e só  perceptível  desde em baixo, apesar das marcas terem mais ou menos 3m de altura. 

Esta copia  da “inscrição” com certeza foi  feita desde a antiga fazenda São José da Alagoinha da Gávea, a atual Villa Riso. A  fazenda já se relacionava com o governo e instituições oficiais desde longa data e  posteriormente passou a  propriedade do conselheiro  Ferreira Vianna. Esta foi a cópia  que  Bernardo de Azevedo  da Silva Ramos usou para fazer sua tradução, sem no entanto nunca ter chegado perto  do paredão das inscrições. Sua “tradução” foi feita em 1928, ou seja  95 anos depois baseando-se numa interpretação  feita sem precisão alguma ,como se pode ver claramente comparando a foto com a cópia. Coincidentemente quatro anos antes  o professor Henrique José de Souza fundou a Daharana, a primeira loja Teosófica, em 1924. Quatro anos depois, Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, então com 70 anos, fez a tradução.
Parece, e tenho quase certeza,  que os dois fatos tem alguma relação. Inclusive o professor chegou a modificar a tradução dizendo que Jetball era o filho de Badezir e tinha uma Irma gêmea chamada Jetbal-bel. É claro que na falta de base para criar estas lendas usaram o que tinha a mão, a Bíblia, e como sabiam que existiu uma irmã de Badezir chamada Jesabel, casada com o rei Achab de Israel, completaram o nome.
Como pode o professor Henrique Jose de Souza pretender melhorar e corrigir  a fantasiosa tradução de Bernardo de Azevedo da silva Ramos?
Está claro que havia um objetivo a ser atingido a todo custo. Usaram a montanha em beneficio próprio pela primeira vez, possivelmente buscando origens lendárias para a sociedade mística em gestação.    
Compare  as inscrições verídicas fenícias com os buracos  da chamada ” Inscrição“.  Para quem acha que algum pedreiro fenício fez  esta  inscrição na   Pedra da Gávea, diria que esse pedreiro e seu supervisor não deviam ser muito versados em  lavratura de pedra, nem deviam saber fazer um andaime reto. Aquilo nunca foi nem poderia ter sido um trabalho de fenícios do século IX A.C. Quem assim mesmo acha que os fenícios fizeram uma inscrição  conhece  muito pouco dos fenícios, e isto é regra quase geral na população, portanto qualquer história que fosse contada sobre a Pedra da Gávea seria engolida facilmente pela maioria  do público. E se essa versão viesse apoiada em um pesquisador conhecido e apoiada e encomendada por uma seita mística e espiritualista como a Sociedade Teosófica Brasileira, como foi,  a aceitação seria quase total, ao menos na população menos instruída . Foi o que aconteceu. E agora o Rio de Janeiro tem uma lenda importada para contar um fato que provavelmente tem raízes  puramente sul americanas.
Anos atrás discordar dessa versão seria como contestar a Bíblia e ainda mais se por trás do assunto estavam dois nomes respeitados. Mas todos podem errar. Já é  tempo de procurar outras versões para esta montanha. Na verdade esta versão nunca convenceu nenhum pesquisador cientifico  sério, nem a ciência oficial. Pior, contribuiu para dar um clima de chacota ao  local. O que no mínimo, é uma infâmia. Repetir essas versões na internet é um mau serviço que se faz.  
E aqui  há  vários problemas.  Predominando uma  falsa versão , ainda que lendária  da história, não digo do Brasil mas ao menos do Rio de janeiro,  seria uma obrigação dos cariocas saber a verdade sobre o que é de fato a Pedra da Gávea. Quem fez aquela face? Porque ao que tudo indica, mesmo  não havendo  inscrição, a face foi feita, com certeza.
E podemos fazer uma afirmação provocativa. Se aquela face e a ”Íbis” do Pão de Açúcar (Na verdade é uma silhueta de pássaro,  mas daí a dizer que é uma íbis, é exagero.  Ou seria um condor?) e a face da Gávea   foram feitos por mãos humanas, seus escultores foram os fundadores do sitio do Rio de janeiro, porque o balizaram por algum motivo. No mínimo porque foram tocados pela sua imponência. E isto não é pouca coisa. 
 Fazer  aquele trabalho não é nenhuma insignificância. É uma injustiça histórica atribuir esse trabalho a quem não o fez. Automaticamente deixando no limbo os verdadeiros autores deste trabalho sofrido e inspirado quem sabe em que sentimentos profundos, pelos quais pagaram caro e foram esquecidos, substituídos  por histórias fantasiosas inventadas em 1924. É lamentável que até montanhistas que já visitaram o local várias vezes, mesmo assim, não conseguem se libertar das coisas que continuam a ser repetidas : fenícios ou  erosão. Por uma questão de honestidade, é preciso sempre se contestar.
Compare a” inscrição” com textos fenícios autênticos como estes abaixo.



Fica bem claro que a desordem que se vê na ”inscrição do paredão“ não corresponde a ordem que vemos nos textos fenícios. Será que ainda não está suficientemente claro? 


                   
À esquerda vemos marcas no paredão que alguém poderá tomar por inscrições, más não são. A direita vemos uma falsa cabeça de como teria sido a Pedra da Gávea. Esta cabeça  foi apenas uma peça  sem base alguma  feita para o filme ”O diamante Cor-de-Rosa”, no entanto é divulgada na internet como se fosse um exemplo de arte fenícia (!) Na realidade não tem nada a ver com a Pedra da Gávea. 

Embaixo vemos o exagero com que a  teosofia comparou a montanha com  um touro alado da Assíria. O símbolo do poder assírio, justamente o poder que ameaçava todas as cidades fenícias no século IX A.C. E os fenícios ainda teriam se dado o trabalho de  homenagear seus inimigos (!) A montanha não tem os detalhes que se vem na figura. Poderíamos ver apenas  um, arremedo bruto de um animal, com boa vontade, que inclusive é admissível, visto desde São Conrado. Mas de maneira alguma seria obra humana. Uma face, um portal, são coisas realizáveis, mas  esculpir uma montanha desse tamanho não tem nenhum exemplo na historia, simplesmente porque estaria fora de propósito. E muito menos seria realizável por um povo que estava enfrentando tremendas dificuldades no Oriente Médio.   



No paredão oposto ao das “inscrições“ também há marcas na rocha, na mesma altura, e com certeza não são inscrições. Finalmente poderia dizer que qualquer povo mais desenvolvido e qualquer escultor razoavelmente inteligente, procuram, antes de lavrar alguma coisa, aplainar razoavelmente a superfície. Nada disso  vemos na Pedra da Gávea. O mistério da Pedra da Gávea é justamente esse, não há escrita. E isso  quer disser muita coisa. Porque há uma face, mas não há escrita. Quem a fez não tinha escrita, ou não a usava. Por outro lado até agora  não foi achada nenhuma peça ou trabalho mais sofisticado que esteja à altura do  nível de pedreiros fenícios do século IX A.C. Isso seria facilmente identificável.  
Na cópia  que serviu para a “tradução”  foram anexados  no meio de algumas” letras” traços horizontais que nunca existiram no paredão. Desta forma, forçando um pouco,  poder-se-ia ”ler“ muita coisa em idioma púnico. Só se vem claramente buracos horizontais no inicio e do lado esquerdo. Na verdade existe uma linha de desgaste que tangencia a parte superior de toda a primeira linha de buracos e onde é mais profunda e dá a idéia de traços horizontais.
  Na cópia, primeiro está a inscrição como a comissão a viu, na segunda linha deram uma ”acertada” para poder ler melhor, na terceira linha está a transcrição em hebraico, idioma que Bernardo conhecia um pouco. Na quarta linha, a tradução admitida, que Invertendo se lê: Tiro  Fenícia Badzir  filho de Jethbaal.     
Nessa transcrição há  coisas  que não batem. Os fenícios nunca chamaram seu território de Fenícia ou ”Foenisian” como foi transcrito. A Fenícia nunca existiu como pais, eram cidades estado e  a região se auto denominava pais de Cannan.  A denominação ”fenícios” foi usada pelos gregos para denominar os habitantes dessas cidades. E os fenícios  diziam-se cananitas.
 Badezir não tinha esse nome. Uma das poucas referencias conhecidas feitas  a ele é  a de  Flavio Josefo em sua” Historia dos Hebreus”,  e o chama de Baaldozor. Provável origem do nome Baltazar. Este nome certamente é constituído de duas palavras Baal ( a divindade), e tzor ( fortaleza). Flavio Josefo também diz que ele reinou seis anos e morreu com 45 anos. Este rei também aparece as vezes com o nome de Badezor. Por coincidência a saída de cenário de Baaldozor coincide com a batalha de Karkar, onde morreu seu cunhado, o rei Achab de israel, que era casado com Jezabel, irmã de Baaldozor.  Mais exatamente, Achab , morre logo após  essa batalha, mas na tentativa de retomada da cidade de  Ramot Guileat. Este episodio é contado na Bíblia , no Livro  de Reis. Há discordância de datas por vários autores mas vamos admitir a data de 853 A.C. como fim dos reinados de Achab e Baaldozor. Flavio Josefo obteve esses dados através do escritor Menandro de Éfeso que os viu nos arquivos reais de Tiro  lá pelo ano 300 A.C. Outra  coisa que não bate é que os fenícios não economizariam palavras para glorificar um monumento gigantesco tão longe de seu pais.  Sim, porque a ”inscrição” da Gávea  só tem cinco palavras.  Finalmente, Baaldozor, estava metido até o pescoço em problemas do Oriente Médio, sempre pressionado pelos assírios, comandados por Salmanasar III. Ele e todos os outros reis da região.
Ao admitir que ele tenha vindo  para o  Brasil estão dizendo indiretamente ele era um covarde ou omisso. Uma vez que sua cidade-estado passava por uma situação aflitiva, porque todos os outros reis  das outras cidades cananéias  lutaram e enfrentaram os assírios.
 Na batalha de Karkar havia pelo menos 12 reis formando uma coligação, segundo a versão assíria, descrita na estela de Kurk. O nome de Baaldozor não consta nessa estela, mas supõe-se que alguns nomes não foram registrados ou constam com outro nome dado pelos assírios. Também pode ter acontecido que o contingente  de Tiro estaria contabilizado com o grosso da tropa que era constituído pelo exercito do Reino  de Israel. Inclusive o nome do rei de Judá, Josafat, não aparece na estela , e ele estava lá.
 É evidente que o “serviço secreto” de Salmanasar III não era muito eficiente e conseqüentemente não tinha informações precisa sobre o inimigo que estava enfrentando. Mas, na versão dele,  para efeito de registro, usou o nome de 12 reis , como sendo seus inimigos derrotados. Não se sabe direito o resultado da batalha. Mas como em toda batalha todos perderam  um pouco.      
Posteriormente um rei de Tiro teve que acabar fugindo. E foi  para Chipre em 701 A.C., esse rei  foi Luli, mas só viajou 200 km. Se Baaldozor tivesse vindo para o Brasil ,enfrentando uma viagem de 8000 km, Flavio Josefo e Menandro de Éfeso nunca saberiam quantos anos ele viveu. No entanto eles  afirmam que viveu 45 anos e reinou 6, sucedendo-o no trono Mattan ou Mettenos, seu filho.
Tampouco é verdade a versão de que houve uma revolta  contra  Baaldozor e foi instaurada outra forma de governo porque nesse caso seu filho  provavelmente não o teria sucedido. E nem teria havido mais reis em Tiro. No entanto houve reis até a tomada da cidade por Alexandre em 331 A. C.  quando Alexandre  só deixou alguns habitantes idosos e  nomeou  como rei, a um mendigo vendedor de água de nome Abdalonimo.
Por respeito a um homem que não conheci e cujo nome foi usado indevidamente, prefiro ficar com a possibilidade de que ele tenha sido morto na batalha de Karkar, ao lado de Achab, defendendo sua terra. A única coisa honorável que poderia fazer, e por isso seu reinado terminou em 853 A.C. igual que o reinado de Achab.
 A versão da Sociedade Teosófica  acaba sendo  desonrosa para sua memória.  Na versão da Teosofia  Badezir ou Baaldozor teria vindo ao Brasil em grande missão espiritual. Isso não tem nenhum fundamento lógico. Para quem conhece algo da Bíblia sabe que Jezabel, Irmã de Badezir , não era muito sofisticada espiritualmente se comparada com os espiritualistas e místicos de nossa época.
 Os dois eram filhos de Ithobaal ou Jetball, um sacerdote de Astarté que havia tomado o trono  assassinando o rei  Phales. Eles foram criados assistindo a sacrifícios de crianças nas chamas  dos templos. Que grande missão espiritual poderiam desenvolver por aqui? Eram pessoas de outra cultura e outro tipo de espiritualidade, que não podem ser julgados por nossos conceitos atuais.
Na verdade toda a família desde Achab, Jezabel, Badezir(Baaldozor) e mais alguns não estão bem  conceituados na bíblia e não  se entende como, espiritualistas de nossos dias, que, nitidamente tiveram formação religiosa cristã, foram procurar raízes ali.
Poderia ser uma contestação, considerando que tanto a maçonaria como a teosofia tem pontos de atrito com a religião católica. Assim como a maçonaria tem Hiram Abiff ( arquiteto fenício  que  segundo a lenda construiu o templo de Salomão) como seu patrono, a Teosófica teria procurado Baaldozor como patrono lendário. Na versão da teosofia Badezir deu origem ao nome Brasil. Isso seria outra justificativa. Mas é claro que  essa afirmação  não tem base nenhuma .
 Não tem  muita  lógica usar Badezir como fundamento de uma sociedade mística de nossos dias. E muito menos pretender enterrá-lo na Pedra da Gávea  como se pretendeu, ao menos  na lenda. Esta lenda não é lenda de verdade porque não remonta a nenhuma tradição muito antiga e sim a 1924.
Houve quem chegou a dizer que Badezir teria sido cremado na Pedra da Gávea (!) Os fenícios não usavam a cremação a não ser para os sacrifícios de crianças e animais ,reis eram enterrados em sarcófagos, tal como o costume  egípcio. Eventualmente havia uma cremação, mas era uma  rara exceção. Alguém  também  disse que os fenícios eram imberbes (!) E então por que colocariam uma barba enorme na face da Gávea?
No entanto tudo isto não quer dizer que os fenícios não possam ter vindo até a América do sul  e inclusive estado na Pedra da Gávea. Santuários em montanhas eram comuns para eles, inclusive quase sem construções. Porque há viagens voluntarias e viagens forçadas. E nesses casos as correntes marítimas e os ventos, além da própria vontade e experiência podem ajudar a realizar tarefas quase impossíveis.  Mas  aparentemente os fenícios não escreveram nada, ou ao menos não achamos ainda alguma estela com um texto púnico  e com certeza não fizeram nem  a Face nem o Portal.  Poderiam ter deixado algum testemunho superficial e que se perdeu ou foi destruído pelos freqüentadores do local desde o século XVII ou mesmo antes. Pode ter havido, e com certeza houve , muita gente que nem imaginamos, subindo  a Pedra da Gávea , por ser este lugar, um magnífico ponto de vigilância, e inclusive defensivo.
Esta montanha vem sendo revolvida superficialmente por quantidade de aventureiros e buscadores de tesouros fazem mais de 300 anos, em função das lendas. E o pior é que alguém pode ter achado algum vestígio importante e simplesmente o destruiu.  
Aqui vamos a dar uma guinada radical nesta Incógnita da Pedra da Gávea, porque parece que as coisas  apontam em outra direção.
Nestas fotos abaixo vemos a face da Gávea e  outra  face da America do sul, a face de  Tunupa em Ollantay Tambo, Peru. Ambas são enormes, ambas tem mais de 140 m de altura. Em cima da face de Tunupa (os incas o chamaram de Wiracocha ) há um pequeno templo, em cima do topo da cabeça da Gávea há uma plataforma.


                           
Face da Gávea. Percebe-se a escavação pouco profunda. Do lado, a  Face de Tunupa em Ollantay Tambo. Note-se o templo em cima da cabeça. Sua altura vai a mais de 140 m. A face da Gávea, dependendo de onde  se queira considerar, tem muito mais altura por causa do paredão da testa. Como argumento definitivo diria que não conheço outras duas faces tão próximas e com essas características no mundo. Por uma questão elementar de lógica é evidente que o mais provável seja            que as duas estão relacionadas. No Peru há pelo menos mais duas faces não esclarecidas, uma em Machu Pichu e outra ali mesmo, um pouco acima da  de Tunupa.                                                           
As duas faces  tem seus detratores dizendo que são naturais. Chega-se a dizer que a face  peruana teria aparecido no século passado depois de um terremoto. Pode até ter acontecido. Sabemos que o domínio espanhol destruiu templos e tradições religiosas do império inca e uma face gigantesca de uma divindade incaica e inclusive anterior pode ter sido ocultada de alguma maneira e posteriormente descoberta com um tremor de terra. Sabemos que houve uma atividade intensa  na destruição de templos, altares e tradições indígenas incluindo a deformação da tradição indígena para adaptá-la às crenças cristas. 
No solstício de inverno os primeiros raios do sol dão na face de Tunupa, dia 21 de junho.  As duas faces estão orientadas na mesma direção olham para o nascente no dia 21 de junho.Os traços das duas faces são elementares, não são, nem poderiam ser muito refinadas em acabamento, na verdade não tem acabamento algum. Mas se percebe que ambas representam uma fisionomia severa com sobrancelhas levantadas numa atitude séria.
 Ambas insinuam uma barba. Na verdade nenhuma das duas tem boca porque a protuberância do nariz basta para insinuá-las.  Na face da Gávea não  há  insinuação de boca, pode não ter sido acabada, mas o nariz esta lá. Diz-se que esse nariz teria sido maior. Não foi. O nariz da face  da Gávea é o nariz possível se  escavamos  o paredão até certa profundidade.  Do contrario, para fazer um nariz maior haveria que fazer uma prótese ou escavar muito mais o paredão, o que seria muito difícil ou impossível. Se observarmos com atenção, a ponta do nariz está  em uma  curva  côncava que vem desde a fronte e vai até a barba,e que nos dá  a idéia de como era originalmente esse paredão da montanha.
 Dizer que essas faces são ilusão de ótica é  simplificar muito. As duas faces estão em  posição de difícil aceso.  Pelas características, é  quase evidente que estão relacionadas. Se a face peruana é mais antiga, alguém veio de lá e fez a da Gávea, porque a motivação parece ter sido a mesma. E aqui teríamos que associar este assunto com o suspeito Peabiru que seria em parte uma penetração exploratória  incaica, com evidente aceitação das tribos guaranis , já no fim do império e que foi sustada pela queda do mesmo através da conquista espanhola. Poderíamos situar este episodio entre 1438 e 1525, o  momento de maior  aceleração e expansão do império., seguido imediatamente à derrocada repentina . Não esqueçamos que o Rio de Janeiro foi fundado em 1565.
Mas de novo, como no caso dos fenícios  devemos frisar que até agora não achamos na montanha, nenhum objeto  ou corte de pedra mais sofisticado que  possa colocar o império inca na questão. Ainda que seja uma possibilidade menos forçada que a dos fenícios, mesmo dentro do terreno das hipóteses. Mas também poderíamos aventar a hipótese de que a face da Gávea seja mais antiga, nesse caso alguém chegou a estas costas e posteriormente subiu para os Andes. Parece-me mais provável que a face da Gávea foi inspirada na do Peru. Nesse caso representaria Wiracocha, ou Tunupa  ou melhor  Tupã. Os tamoios diziam que era a cabeça de um deus e isso viria ao encontro dessa hipótese e praticamente resolveria o mistério. Mas era mais conhecida como “cabeça enfeitada “ metara canga”. “metara” quer dizer enfeite, e “canga” significa  cabeça .
É o caso de se perguntar se Tunupa e Tupã não são na origem, a mesma divindade. Tanto no Brasil como no Peru eram associados ao raio e o trovão, e  divindades  supremas. Tanto Tunupa ou Wiracocha, na lenda eram barbudos assim como Sumé. Na  Argentina, Paraguai, e Uruguai  temos Tupan como divindade , portanto seria praticamente comum a toda esta parte da America do Sul. E aqui há muito mais a dizer, mas não vou estender o assunto, porque já  estou fazendo  isso em outros textos.      


   
   
Três ângulos onde se nota a intenção de uma  face. A escavação, ou não foi terminada, ou ficou assim mesmo em função da dificuldade do trabalho, ou até pelo próprio conceito do que seria  o mínimo necessário para transmitir a mensagem. Na parte que corresponde à bochecha, parecem  ver-se  vestígios de muitas marcas de desbaste.     


                                                       
 Neste  ângulo da face da Gávea, se  nota o pronunciado supercílio,que parece ter sido o determinante da profundidade da escavação. Aqui também  vemos o que parece ser uma sobrancelha levantada em atitude de severidade, igual que do outro lado da face.Esse supercílio simplificado lembra, um pouco, o supercílio estilizado dos moai da ilha da Páscoa.   


          
Nestas marcas existentes junto à face, no inicio da Travessia dos Olhos se vem marcas verticais que poderiam ser de retirada de pedra através de estacas. Haveria que examiná-las com cuidado. Ficam à esquerda  da  base da Chaminé Hungar. 



     Nestas fotos fica bem claro que, onde a montanha parecia uma cabeça, foi feita uma face, e justamente no local certo.  A face é reconhecida de qualquer ângulo, até dos menos favorecidos. O local para fazer esta face foi muito bem escolhido. Fica  bastante evidente que é produto de um raciocínio e não capricho da natureza. A rocha naquele ponto é menos resistente. 


              
A face reconhecível à esquerda, e a direita  um  angulo muito divulgado, más que dá uma idéia errada do trabalho existente de fato. Quem julga por esta vista dirá que é  apenas erosão.

Não me parece que haja que procurar uma esfinge na montanha. A montanha tem uma forma que, para quem quiser, pode passar por um arremedo de esfinge. Mas é muito pouco provável que alguém tenha trabalhado em toda a  montanha. Isso está fora da lógica. Tampouco percebo  outra face do lado do mar, como alguns dizem ver . E muito menos vejo um sarcófago egípcio como alguns dizem. Só  se vê algo parecido ao perfil de um sarcófago ,olhando desde a lagoa Rodrigo de Freitas, e  só é um sarcófago para quem não conhece bem o que é um sarcófago.
Pode-se levantar a hipótese da  impossibilidade de fazer um trabalho no local da face por causa da dificuldade de acesso. Isso não seria grande problema. Raciocinando um pouco podemos admitir que a parte da chamada Barba, foi em épocas passadas muito mais coberta de terra e de árvores,  o que permitiria firmar uma estrutura para trabalhar no local. Com a perda da cobertura vegetal o solo está deslizando em vários pontos da montanha. Havia uma floresta com árvores enormes. Portanto montar escadas, andaimes e passarelas para trabalhar, não seria impossível. Que o trabalho era perigosíssimo, estou de acordo. E deve te morrido muita gente.    
Falta dizer algo sobre o chamado Portal. Essa formação também desperta opiniões radicalmente opostas. Uns acham que é uma porta, outros uma simples formação natural. Os teosóficos e outras seitas místicas já a apontam como porta para o mundo de Agartha. Ou que o portal é uma entrada não material etc. Mas esse tipo de análise não nos ajuda.
 Depois de estar 446 vezes em frente ao Portal  analisei algumas coisas.  Não parece uma porta totalmente, porque apesar de estar separada dos lados e em baixo, do resto da rocha, nota-se que em alguns  locais, principalmente nas partes superiores chega a estar soldada às laterais e a marquise.  Essa situação poderia nos  sugerir que uma grande rocha se deslocou daí, e caiu no vazio, conseqüentemente seria uma formação natural.
Mas surge uma pergunta. Porque uma rocha que estava com certeza atritada entre as outras duas laterais e ligada  na parte de cima  se deslocou sozinha e caiu? Teria sido mais lógico cair alguma das laterais. Porque ficou aquela marquise que tem uns 2m de espessura? As duas rochas laterais estão soldadas ao resto da montanha e apesar de terem parte em balanço não caíram. Porque a superfície que constitui o portal propriamente dito apesar de curva é   quase plana? Pelo que vemos no local parece que andaram iniciando um trabalho de cantaria bruta.
Provisoriamente fico com a idéia de que alguém iniciou uma falsa porta, uma espécie de nicho. E  de novo estamos com similares dos Andes, onde esse tipo de monumento é comum, portas que insinuam  acesso ao interior da montanha tal como a porta de Hayu Marca em Puno.
O caso do Portal e da face nos leva a crer que podem ser início de monumentos que não puderam ser terminados. Enquadrar-se-iam em uma relação com os Andes.        

                     
           
 À  esquerda o portal da Gávea e à direita a porta de Hayu Marca. O da Gávea tem 16 m de altura por 8 de largura. O de  de Hayu Marca tem 7m de altura por 7 de largura.


                                     
As duas laterais do Portal da Gávea e a visão da marquise, com a face propriamente dita do Portal, bastante lisa. Com certeza não há nenhum túnel atrás dele. De qualquer maneira, há algo a investigar. A orientação do Portal é para o oeste.

 Nunca foi feita pesquisa arqueológica na Pedra da Gávea porque o local foi desmoralizado por versões delirantes e se tornou maldito para pesquisadores sérios. E não ficava bem se envolver com o assunto. As narrativas de pesquisas feitas por clubes  de montanhismo e outros organismos foram nada mais do que excursões domingueiras.
Há onde escavar objetivamente. Um dos locais seria embaixo da Gruta da Orelha. Esta gruta desde que existe deve ter servido de abrigo a todos os que por ali passaram, e me refiro aos que sabemos e aos que não sabemos. Dormi  40 vezes na Pedra da Gávea  e a maioria das  vezes  na Gruta da Orelha . Tudo o que se descartava na gruta era jogado na base de uma pedra logo abaixo dela. Isso desde tempos imemoriais com certeza. É claro que deve haver uma camada  muito espessa de detritos modernos , porém mais abaixo pode haver vestígios de outras épocas. Na década de 1960  achei um  pequeno fragmento do que parecia ser uma  borda  de tampa de  um vaso de cerâmica, enterrada no pequeno túnel que há no fundo da gruta. O passei a uma pessoa para examiná-lo, e nunca mais me disse nada.
Esta gruta vem sendo ampliada desde épocas  muito antigas.  Pessoalmente assisti a algumas ampliações. Cabe a pergunta : inicialmente teria sido escavada ? Porque está claro que ela sofre dois processos. Ampliada por mão humana, e soterrada lentamente por infiltrações provenientes da Chaminé dos Porcos (a garganta que separa a cabeça do resto da montanha). Centenas de anos atrás ela deve ter sido bem diferente. O próprio uso dos excursionistas a modifica, porque era comum melhorar o espaço para acomodar mais gente. Assisti a varias escavações para ampliá-la. Já  vi mais de 30 pessoas dormindo no local. É claro que os últimos dormiam ”na varanda”.
Outro ponto interessante de pesquisa seria o topo da Cabeça. Porque se a montanha teve um fim cerimonial em algum momento, esse local seria o ponto principal. O fato de estar revolvido o terreno superficialmente não importa porque mais embaixo deve estar preservado o terreno mais antigo. Fala-se muita coisa sobre essas pedras que estão no topo, mas pouca coisa objetiva. E haveria mais algumas coisas a observar. Existe o que parece ser um petróglifo na figura de um sol, em parte destruído, situado na ponta norte da cabeça e tem mais ou menos 60 cm de largura. Em outro ponto há outro que parece ser um pássaro de perfil com mais ou menos 40 cm de altura.     
Finalmente não poderia deixar de falar algo sobre a ” Íbis” do Pão de Açúcar. Se a face da Gávea é obra humana, com certeza a ”Íbis” também pode ser, porque os buracos que formam as patas são muito parecidos com as escavações dos olhos da Gávea. E esses buracos estão colocados exatamente no local apropriado para completar a ave. Ela está  na mesma orientação que a face da Gávea.  Mais uma vez,  há indícios de inteligência e não de simples erosão. Sendo  um pássaro, estaria relacionado com a face  da Gávea. Na tradição  religiosa andina, Wiracocha era acompanhado por uma ave.


                             
Mas poderíamos presumir, por via das dúvidas, que os buracos na parte de baixo do pássaro sejam o resultado de  canalização das águas junto à protuberância do peito, causando erosão. E esta seria uma boa explicação natural para o pássaro. As cavidades   estariam sendo ampliadas  nas partes mais baixas pela passagem da água, porque o que   corre na ocasião das chuvas não é apenas água, é água e partículas de material que tem  grande  efeito abrasivo. E nesse caso, os buracos têm maior dimensão em baixo por ter sido canalizada a água pluvial em escavações que  talvez já existiam como parte dos traços da escultura.Não seria necessário que eles fossem tão alargados na parte mais baixa para dar a idéia de um pássaro  levantando vôo. Más para aumentar tanto estas cavidades por processo  natural, seria necessário muito tempo. Já no caso da face da Pedra da Gávea, fica difícil aceitar que um processo similar tenha moldado a face, porque não explicaria o desgaste desigual em partes da face deixando um  nariz, justamente onde escorreria muita água de chuva e cavado o local mais protegido, os olhos.
Teríamos também que levantar a hipótese de que o pássaro seja resultado da erosão  e no entanto a face da Gávea seja trabalho humano. Uma coisa não depende necessariamente da outra. Se por acaso  estes monumentos tem uma  origem andina, estariam  também  relacionados com o provável falso portal. Ou seja, os três elementos se sustentam e se apóiam mutuamente e se enquadrariam em um mesmo contexto cultural. Como ultima hipótese poderíamos atribuir tudo a uma cultura megalítica   sul americana, mas da qual temos poucos  elementos para formar uma quadro inicial, e isso não estaria descartado. E esta hipótese deve ser considerada seriamente.
 Este artigo pretendeu ensaiar outros caminhos um pouco mais sérios  para a incógnita da Pedra da Gávea. Se o tom deste texto parece um pouco agressivo é porque é preciso indignar-­se com a falta de interesse, acomodação e deformação desta incógnita da Pedra da Gávea, o que vem acontecendo há muito tempo, desvirtuando a realidade do local.  

 Arquiteto Carlos Perez Gomar,             17 de abril 2012.

12 comentários:

  1. Um problema é não se encontra uma imagem livre de boa qualidade das inscrições. Sugiro que vejam esta aqui que está melhor: http://www.panoramio.com/photo/44945780 e http://o-o.preferred.cbf01t01.v5.cache5.c.bigcache.googleapis.com/static.panoramio.com/photos/original/44945780.jpg?ms=tsu&mt=1339388701&cms_redirect=yes&redirect_counter=2 .

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    1. Você tem toda a razão em destacar que é preciso fazer algumas fotos muito objetivas destas marcas ou inscrições, como se queira chamá-las. Eu já deveria ter providenciado isso.
      Essas fotos deverão ser feitas em meados de maio para ter a mesma visão que a comissão do IHGB teve na ocasião da reprodução destas marcas . Não se pode fazê-las de qualquer local, nem muito perto,nem muito longe, porque, ou não se tem ângulo, ou fica-se muito longe
      O local certo, com certeza, para fazer estas observações é a Villa Riso em São Conrado, a antiga fazenda, e uma das poucas residências importantes que havia na ocasião (1839)
      Obrigado e um abraço. Carlos Perez Gomar

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  2. Caro Carlos,

    http://ufrrj99.blogspot.com.br/2012/07/projeto-pedra-da-gavea.html , quem sabe se com alguma orientação...

    Um abraço.

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  3. Sr. Carlos, seria possivel em sua próxima ida à pedra da gávea, o senhor, fazer fotos do interior da orelha, bem detalhadas e de alguns pontos na mata que ninguém comenta. Na web vimos textos dizendo que pela orelha direita se chega ao lado esquerdo, era assim ou tamparam esta entrada? Porque na última vez que lá fui(2009), rastejei até onde pude e a parede bloqueava a passagem do que parecia ser um túnel. Uma vez em 1989, nos perdemos na descida e após contornar-mos uma enorme parede, encontramos fogueiras apagadas e sentimos uma energia não muito boa naquele local e momento. O senhor acha que na mata ainda há algo a ser encontrado, tal como entradas ou grutas, ou tudo já foi minuciosamente explorado? muito obrigado e parabéns por seu trabalho. Este nosso patrimônio, que talvez ainda mostre muita coisa, deve ser preservado por pessoas esclarecidas e sérias como o senhor. Uma grande curiosidade que paira em minha mente: Um relato de que há uma escada dentro de uma gruta, acessada pelo fundo do mar, abaixo do elevado do joá, que leva ao topo da pedra. Seria coisa de gente irresponsável? Nenhum mergulhador até hoje me confirmou ou descartou definitivamente tal possibilidade. Uma coisa é certa, para quem é sensitivo, a pedra da gávea, apresenta um ar bem diferente e uma energia muito grande, nos deixa bem diferentes.

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    1. Desculpa , fiquei devendo esta resposta. A explicação e longa. Nos próximos dias respondo.

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  4. ja ouvi que a pedra da gavea era fundo do mar

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    1. Esse fato é contado porque alguém disse, décadas atrás, ter achado areia e conchas quase, lá no topo. Na verdade, areia pode ser proveniente certamente da decomposição da rocha, e quanto a conchas podem ter confundido, outro tipo de carapaças com a de moluscos marinhos .O topo da Pedra da Gávea possivelmente está fora do nível do mar , pelo menos muito antes de haver humanidade sobre a face da terra , pelo menos há uns 1000 000 000 de anos . Quanto a que o nível do mar tenha variado , com certeza, mas é muito provável que nos últimos 10 000 anos ele tenha estado abaixo do nível atual chegando a talvez uns 30 m abaixo do nível atual, o que levaria o litoral mais ou menos para a distância onde estão as ilhas Tijucas e Cagarras. Pode haver outras hipóteses para alguém ter achado conchas marinhas lá em cima , mas para isso não tenho nenhuma hipótese no momento. abs.

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  5. Muito boa a postagem, bem esclarecedora!

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    1. Obrigado , Ronaldo. a pesquisa sobre tudo o que possamos levantar de realidade sobre a Pedra da Gávea ainda não está encerrada, tentaremos ir mais à frente. Hoje estive na Pedra Bonita em frente à Pedra da Gávea e conversando com morador muito antigo , contou-me que o nome dessa pedra não era Bonita, mas ele não se lembrou qual era , ficou em consultar um morador muito velho que sabe o nome antigo. Parece que houve uma visita de dom Pedro I ao local. Outros dizem que teria sido D. Joao VI , mas acho improvável, e a partir dai, tendo ele achado a vista muito bonita o nome passou a ser Pedra Bonita , mas e uma coisa a ser verificada com mais precisão. A Pedra da Gávea , já sabemos que tinha o nome indígena dado pelos tamoios de Metaracanga ( cabeça enfeitada) Abs.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Prezado Carlos Gomar, muito bom o seu post sobre esta pedra que tanto fascina os cariocas pela sua beleza e seus mistérios.

    Também fiz um post sobre este lugar. Me lembro de que quando fui lá, você ajudou um amigo meu a subir a carrasqueira e somos muito gratos por isto.

    Se puder veja o blog: http://aventritur.blogspot.com.br/2015/02/pedra-da-gavea.html


    Grande abraço!

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